Queria dizer que eu escrevi esse texto antes de assistir ao filme com o mesmo nome, não tem nada a ver uma coisa com a outra. A propósito, a última música do filme, "paciência", na voz da Elza Soares é divina.
Nesse mundo e num tempo em que a virtualidade se sobrepõe violentamente ao aqui e agora, ouso a dizer que, o que outrora era visto como a geração da multiplicidade, das várias vozes, das várias informações e tal, na verdade volta a se agrupar, volta a se reunir em alguns grupos de vozes e alguns grupos de informações. O que quero dizer com isso é que, predominantemente, nossa geração (nasci em 1991 rs) é uma geração de tendências. Apesar de as relações caminharem cada vez mais pra um movimento inespecífico, o mínimo de especificidade que se encontra aqui, se encontra acolá. Dessa forma, ainda que demore a acharmos algo semelhante ao que ocorre em nossas vidas, podemos ter a certeza de que em alguma parte do mundo essa igualdade existe de fato. A formação das tendências não é mais de ordem geográfica, o mundo virtual reverteu essa situação por completo. O que era uma variedade, por sua vez, torna-se um uníssono. São tendências de universos, universos primos. E pode ser até aquele "primo" distante que você nem conhece, nunca viu e não sabe onde mora. Isso não exclui a diferença. Mas ressalta, grifa e exalta a semelhança. Ou seja, poderíamos supor que o sujeito contemporâneo na verdade carrega esses vários gritos e os grupos formados se destacam do todo justamente pelas combinações desses gritos, pelas características comuns entre eles.
Nós lutamos, a todo instante, contra a profundidade. Eu aceito (de mau grado) e identifico isso. Mas não me contempla e jamais o fará... Não assinei nenhum contrato.
Qual será o futuro das nossas relações? E por favor, sem DR.
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