sábado, 3 de setembro de 2011

Vendem-se Perspectivas

no início pensei em doá-las,
mas vendendo ainda poderei ganhar com isso.
estou vendendo perspectivas,
sonhos desacompanhados
e impulsos transformadores.
como adquiri toda essa tranqueira?
fui acumulando.
não busquei, ganhei.
por toda parte alguém te dá.

Por que eu vendo? Por que não me é útil?
Porque eu não penso na transformação, pelo menos não nessa tão falada.
Nem na perspectiva e nem na promessa.
Não manipulo e nem moldo meu sonho.
Ele já está posto. Virá ou não.
Assim como uma flor, ele nascerá ou não.
Também não tenho interesse de fazer um manifesto contra as coisas.
Meus pensamentos e sentimentos são pessoais demais pra tudo isso.
Tenho fé no lúdico, mas não com esses objetivos.
Se eles vierem, terá sido por pura co-incidência.
Uso o lúdico pra imaginar, pra fugir, pra inventar.
Não para constatar, discutir, alegar, postular ou atestar.

aceito dinheiro, barras de ouro, imóveis e automóveis
mas aceito também realidades, aceito concretudes e contra-vales.
aceito coisas paupáveis, não divagadas e não persuadidas,
aceito também desilusões, tapas na cara e choques de nudez e de crueza em troca.

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